[Arquivo Confidencial] - Nuccia de Cicco

Olá amorecos, e o mês logo acaba - e vem novembro cheio de enfeites e clima natalino - amo.

Antes que acabe o mês resolvi trazer mais uma participação na nossa coluna Arquivo Confidencial, dessa vez a parceira e autora Nuccia de Cicco veio contar sua trajetória literária e preparem-se pra se emocionar. Então vamos lá.


"A primeira vez em que pensei em me tornar autora foi em 2012, acho, quando faltava um ano para finalizar meu doutorado em bioquímica. Foi a mesma época em que finalmente dei atenção aos tantos conselhos de uma amiga para escrever o livro. Bem, dei atenção, até comecei um esboço, mas não segui adiante. O doutorado era prioridade".

Sua carreira deu início então em 2014, momento que já tinha defendido seu doutorado e pôde então dar efetiva atenção ao processo de escrita, momento que não era só escrever, mas também pesquisar sobre o assunto ao qual dedicou-se a escrever.


"E então comecei a peregrinação. Pesquisei como era ser um autor, o que envolvia a carreira, formas de divulgação, editoras, processos de escrita, etc. Encontrei um grupo no facebook e por ele fui me guiando nesse princípio. Lá poderia tirar dúvidas, tinha facilidade para achar cursos e editais de antologia. E foi por links nesse mesmo grupo que fiz meu primeiro curso de escrita criativa e participei da minha primeira antologia. Também foi lá que conheci alguns escritores independentes ou de editora, famosos ou não, que são meus amigos até hoje".

Após ter pesquisado percebeu que um blog seria uma primeira porta de entrada para divulgação de si própria e de seu trabalho literário.






















"O blog foi realmente uma alavanca...O problema maior é que demanda muito tempo, mas muito mesmo, de dedicação quase exclusiva. Desde que criei o blog, as minhas leituras, aquelas que eu comprei porque queria ler, estão atrasadas dois anos. Só leio parcerias e mesmo essas estão atrasadas. O blog me ampliou a visão da literatura do lado blogueira, me deu a chance de participar e organizar eventos literários online e presenciais, me apresentou amigas blogueiras para a vida toda, me deu parceria para divulgarem meu livro sem nem mesmo tê-lo publicado ainda. Também me deu contato direto com editoras e autores. ".

Já participou de diversas antologias, sua primeira foi organizada pela Rô Mierling, no total já participou de oito antologias com ela.
















"Além do primeiro curso de escrita criativa, fiz um curso sobre publicação de livros. Enquanto isso tudo acontecia, escrevia o meu livro, o primeiro, a biografia que narra a história da minha surdez. Um dos meus amigos daquele grupo de escritores se tornou meu primeiro fã e meu primeiro leitor beta. Escritor e poeta, ele também escreveu o prefácio do meu livro. Nessa época, eu tive muita sorte, daquelas que escritores iniciantes quase nunca têm. Estava postando a biografia no Wattpad, mostrei para esse meu amigo e leitor beta e para o professor do curso de publicação. Eis que, esses pedaços do livro viraram propostas de editoras. Do nada, não tinha intenção de publicar e então tinha 3 contratos para analisar".

Decidiu então por ficar com o contrato de seu professor - a editora dele é conhecida em Porto Alegre - também participou de uma antologia sobre minicontos, desta Editora.

Resenha AQUI no blog



















Em 2015 sai então o livro - biografia da autora.

"Começa, então, o processo de revisão e copidesque. Tirei capítulos, criei outros. Comparando, é quase um novo livro. Demoramos também para encontrar uma capa adequada, bem representativa (a concha solitária me representa no início da surdez. Conchas são símbolos da comunicação, além disso elas “guardam” o som do mar dentro de si). E comecei a planejar o lançamento. O trabalho que dá montar um lançamento... A gente até pensa duas vezes antes de lançar um novo livro! Em fevereiro de 2016, os livros estavam em minhas mãos e em março foi o evento de lançamento no RJ. Depois disso, tive muito apoio da Rô Mierling e da Editora Illuminare. Era uma via de mão dupla. Eu os ajudava com divulgação e com a organização de eventos e eles dividiam despesas e divulgavam a mim e ao livro. Fui para São Paulo umas duas vezes, incluindo a Bienal, além dos eventos aqui no Rio mesmo".


A autora menciona que ficou (e ainda fica) extremamente chocada com a carga financeira que teve que suportar para manter o livro divulgado. Cada vez que os exemplares acabavam, tinha que comprar mais com a editora, além de pagar o frete de envio aos leitores, os brindes, os cartazes, entrevistas, além dos livros doados para parceiros e bibliotecas.

"Mesmo assim, muitas pessoas reclamam abertamente e/ou dão pouco valor".

Além do livro ela começou a apresentar palestras em universidades e escolas sobre surdez e suas nuances, baseada no livro.

"O essencial é apresentar os surdos como pessoas comuns que tem direitos e deveres e que conseguem viver muito bem, desde que as oportunidades também lhe sejam oferecidas".

Em setembro de 2016, na época das comemorações do Setembro Azul, o mês de luta dos direitos dos surdos, ela junto a algumas blogueiras fizeram uma pesquisa sobre personagens surdos, representatividade na literatura e descobrirão que o número de livros de ficção com personagens surdos, de nascença ou não, são quase inexistentes. A maioria dos livros é biográfica ou acadêmica. 

"E eu notei que eu mesma não estava contribuindo para a representatividade, pois meus contos até então eram de personagens ouvintes. Assim, mudei meu foco. Escolhi escrever apenas com personagens com surdez, especialmente a surdez adquirida, como é o meu caso, pois assim amplio a intenção que tive quando escrevi a biografia, de divulgar melhor a deficiência".

























2017 a autora não está conseguindo se dedicar muito a carreira de escritora devido a seu trabalho. 

"Ainda estava divulgando o Pérolas maciçamente e cuidando do blog enlouquecidamente, por isso foi complicado participar de antologias e escrever livros novos. Além disso, decidi participar de concursos literários. Depois de maio, praticamente cortei todo o ritmo do blog, de tal forma que ele está praticamente parado, tendo apenas resenhas dos livros de parcerias quando eu encerro a leitura.
Acabei participando de uma antologia só, da Editora Sinna, pois era um conto que já tinha começado a escrever. Escrevi mais alguns contos e uma crônica esse ano, que não podem ser divulgados, pois estão aguardando resultados dos concursos. Um dos contos ficou tão grande que nem pôde participar de concurso nenhum. Ia até publicar na Amazon, mas uma das minhas leitoras beta insistiu para eu transformá-lo em livro. A princípio, achei que não daria, porém comecei a sonhar com o livro e a ver exatamente como a história seria. Já estou no capítulo 6 e tenho o cronograma do livro todo pronto. Espero terminar até o final do ano".

Além disso, a autora foi convidada a participar de um evento literário grande no RJ (LiteraCaxias), como autora participante da discussão com a temática: representatividade literária.
E para 2018, a autora espera ter terminado "Cadeados: o amor é a chave" para publicá-lo o mais breve possível.


"Obrigada também à Grazi pelo convite em participar dessa coluna linda aqui no blog. Foi uma honra imensa! Obrigada a você, leitores, por terem lido tudo isso!"


Por hoje é só amorecos, espero que tenham gostado. Contem ai o que acharam - autores que quiserem participar da coluna contanto sua experiência literária, entre em contato.
Beijokas!

4 comentários :

  1. Oi, Grazi!!!
    Foi um imenso prazer participar da coluna e escrever a você e seus leitores sobre minha carreira! Dá até saudade daqueles tempos! Amo muito todo mundo que conheci de á pra cá, são verdadeiros amigos, mesmos que ainda não os tenha encontrado pessoalmente! Espero, num futuro nem tão distante, poder abraçar cada um! E que venha "Cadeados"!! Beijos mil e estou à disposição! ;) <3

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oie Nuccia, eu quem agradeço por sua participação.
      Volte Sempre!
      Quero meu abraço, com certeza!
      E meu exemplar de Cadeados também rs!
      Beijokas!

      Excluir
  2. Oiee Grazi ^^
    Eu ainda não li nada da Nuccia, mas costumava acompanhar seu blog (não tive mais tempo de passar por lá) e vi muita coisa sobre os livros dela em outros blogs. Realmente, ser autor no Brasil é muito caro, né? Principalmente quando não se é das editoras grandes e mais conhecidas. Mas é muito bom ver que muitos blogs apoiam nossos autores ♥
    MilkMilks ♥

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oie Dry,
      Nossa menina nem fale, eu vejo as dificuldades que esses feras enfrentam com preços e ainda tem gente que desvaloriza os nacionais, uma pena.
      Eu sou defensora nata dos nacionais e serei sempre rs!
      Obrigada pela visita!
      Beijokas!

      Excluir

Deixe seu comentário