All Star Azul - Ricardo Mesquita

E se você se apaixonasse por seu melhor amigo, o que faria?


Pois é, nessa história que pra quem vê a capa logo imagina um romance fraquinho, desses da literatura infanto-juvenil, pelo contrário, traz o romance entre Diego e Thiago, mas de forma bem pesada, pelo menos a meu ver, com cenas fortíssimas de sexo, que num primeiro momento cheguei a ficar chocada, talvez por não estar acostumada a esse tipo de literatura. 


Não recomendo aos menores de idade.

Diego, um jovem órfão de mãe, vive com seu pai, sua madrasta (quase invisível na história) e o filho dela Ricardo – um completo idiota que o atormenta sempre que possível. 
Diante a tantas transformações, devido à estar na adolescência, resolve conhecer uma boate gay, afinal, está em dúvidas quanto à sua opção sexual, experiência essa muito bem relatada pelo autor:


“... Senti-me um peixe fora d´água no meio daqueles caras bombados. Vestindo um jeans surrado, All star e camisa azul... estava sendo uma experiência um tanto sinistra... logo na entrada senti um odor forte... Tudo ali pra mim parecia surreal ... “

A partir dessa ida à tal boate, juntamente com seu até então amigo Thiago, ele conhece Felipe. E então, começa a descobrir-se dividido entre uma relação pra lá de instável e cheia de “suspenses”, afinal, Felipe parece sempre tão enigmático e indisposto a confidenciar sua vida à ele, e, Thiago, seu melhor amigo de infância, que vive sempre se escondendo atrás de sua homossexualidade.
É um livro que além das cenas fortes mostra a aceitação ou não das famílias, amigos e sociedade em relação à opção sexual, podendo perfeitamente ser descrito numa frase do próprio livro:

“... o meio social sempre nomeia seus seres. Sei lá, que é para separar, segregar mesmo! Seja por raça, religião, orientação sexual, gênero, condição socioeconômica, até por localização geográfica. Sem querer todo ser que vive em sociedade é identificado com um carimbo na testa.”.

Só acho que se uma pessoa de mente fechada pegar para lê-lo irá se chocar um pouco, por conta de algumas cenas, mas, concordo que seja um livro de combate ao bullying homofóbico, se e somente se bem direcionado.


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