Uma vida para sempre - Simone Taietti

"Talvez a única certeza de nossa existência seja a morte, o fato de que ela chega para todos. Mas nem por isso deixa de ser a maior incógnita da vida..."

O livro é na verdade um diário de Ethel uma jovem de 17 anos, adotada e acometida por CIPA (Insensibilidade Congênita à Dor com Anidrose), uma síndrome em que a criança não sente dor física e também não transpira (confesso que pensei quão bom seria não sentir mais as dores de cabeça, cólicas e tals, mais depois que vi as inúmeras consequências provenientes desta doença, desisti na hora), e segundo estudos da própria Ethel, o paciente acometido por essa doença não tem muito tempo de vida, a partir de então ela começa a refletir sobre vida e morte. 
Todos os capítulos iniciam com um reflexão da garota, que por vezes tive de parar de ler por alguns instantes (por isso a resenha demorou pra sair), afinal, me remetia à algo que aconteceu ou que está acontecendo em minha vida, e tenho certeza que todos os leitores que lerem esse livro irão se encontrar em alguma das reflexões dela.
Cercada pelos cuidados "por vezes em exagero" de sua mãe Edite, que lhe acompanha sempre que possível ao hospital, para acompanhamento com fisioterapeuta e realização de exames, Ethel, acaba fazendo amigos, muitos deles em estado terminal, o que acaba culminando em visitas da garota em cemitérios e velórios, a fim de se preparar e preparar a família para o que está por vir, mesmo sem o conhecimento e consentimento da mãe.

"... É muita insanidade, eu sei, mas ela me vê como uma pequena taça de cristal que, dependendo dos estímulos do meio, pode se quebrar a qualquer momento..."

Até que em uma dessas visitas, ela conhece Vitor um garoto com leucemia, que através de seu sorriso será capaz de transformar sua vida, mesmo que ambos estejam correndo contra o tique taque do relógio, ou como eles mesmo falam na história "desafiando alguma ordem natural ou algo do tipo...". Afinal, como levar um romance a frente se ambos estão correndo contra o tempo?!
Além disso, Ethel tem uma amiga de infância, Catarina, que mesmo afastada, mostra-se muito preocupada e ... com ela e a doença..
E uma outra amiga de hospital, Gertrud,  que poderia ser considerada sua avó pela idade, mas que lhe ensina muitas coisas sobre a vida, a partir do que a própria Ethel mesmo fala e conversa com ela.

Confesso que o livro me emocionou demais, e pra não falar mentiras, até chorei em alguns momentos, por conta das tantas reflexões acerca da vida e de como ela passa num flash.






Na dedicatória da autora, ela diz que "gostaria que todos, ainda em vida, tivessem a oportunidade de tocar o céu. Quando esta aparecer, ouse. Toque-o...", num primeiro momento ao ler não havia entendido, mas depois percebi que a autora estava dando pinceladas sobre o que estava por vir junto com Ethel e todos os outros personagens. 
Afinal, o que é "tocar o céu"?! 
É simplesmente viver a vida e tudo de bom que ela lhe oferecer, fazer aquilo que te faz bem, e mais do que isso, fazer de pequenos instantes, grandes momentos, pois o segundo seguinte não sabemos se estaremos aqui.

2 comentários :

  1. Este livro parece muito interessante! Eu também pararia para pensar nas dores que deixariamos de sentir kkkkk, mas não é como pensamos. Vou coloca- lo na minha wish list.
    Conheci seu blog no grupo seguindo aqui, te convido para conhecer o meu ;)
    nicoleprass.blogspot.com.br

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    1. Nicole, realmente vale a pena, esse é um daqueles que você lê e relê e sempre tem uma ideia nova, uma percepção nova!!!
      Obrigada pela visita!!!
      Indo visitar o seu!!!
      Bjkas!!!

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