A viagem de Théo - Catherine Clément


Curiosa com as várias religiões existentes, e com a multidisciplinaridades de crenças, mitos e ritos, resolvi ler esse romance religioso que aborda as religiões mais praticadas no mundo (catolicismo, judaísmo, budismo, protetantismo, islamismo etc.) e me encantei com  cada detalhe da obra.
Esse livro propicia ao leitor um resgate não só das religiões bem como locais sagrados do mundo, fazendo o leitor sentir que está vivenciando a experiência da viagem junto a Theo (personagem principal – adora livros, e é portador de uma doença grave).

Alguns pontos místicos e sagrados são apresentados na obra dentre eles: Jerusalém com sua Cúpula do Rochedo (Santuário dos Mulçumanos), o Muro das Lamentações, o Santo Sepulcro; Egito e sua Sinagoga, a Mesquita e mesmo as suas famosas Pirâmides, ou o Rio Nilo; a Itália com o Vaticano; Benares e sua mesquita; Tibet e o templo tibetano; Índia; China; Istambul; Africa; Brasil; além de túmulos, mares e muitos lugares maravilhosos. Locais esses que Théo vivencia as mais diversas experiências religiosas da vida.
A obra é recheada de deuses gregos – explicações e esclarecimentos acerca da história desses deuses, seus túmulos e etc.
O modo como a autora vai explicando as religiões, através de seus personagens é muito claro, objetivo e de fácil entendimento, colocarei algumas explicações que mais me foram esclarecedoras e interessantes:
“- Nossa prática – disse o iogue – concerne ao conhecimento. A palavra ioga significa “jugo”, isto é, a peça rígida que une os dois cavalos de uma carroça. A carroça é o seu corpo; os cavalos, suas emoções; o cocheiro, seu pensamento; e as rédeas, sua inteligência. A ioga procura manter firmemente e parelha de cavalos sob o jugo, conduzindo-os pelo pensamento.”
 “... Buda diz que tudo é impermanente... não dura... a origem do sofrimento está no desejo egoísta “a sede de ser si”. Para abolir o sofrimento da impermanência, é preciso alcançar o Nirvana. Para que seja alcançado o Nirvana é preciso “evitar obter a felicidade pela busca dos prazeres, evitar também a procura da beatitude pelo ascetismo...””   ioga procura manter firmemente e parelha de cavalos sob o jugo, conduzindo-os pelo pensamento.”




Além disso, Théo é um garoto muito inteligente e nos faz rir várias vezes, com seu jeito irônico e ao mesmo tempo inocente e ao mesmo tempo refletir se suas palavras, mesmo que inocentes não são verdadeiras:
Como quando ele descreve Jesus para sua Tia Marthe: “- Claro! Ele nasceu num estábulo entre o burro e o boi, sua mãe era a Virgem Maria, e seu pai José, o carpinteiro, só que seu pai de verdade era Deus. O resto é mole: ele morreu, ressuscitou e  se mandou pro céu”.
 Quando conta a seus pais sobre as religiões: “São todas iguais -...– eles crêem em Deus, querem o bem da humanidade, brigam entre si o tempo todo. Falam de paz e não param de criar caso uns com os outros....”
Outra coisa legal na obra é a explicação dos amuletos e ainda algumas frases que nos faz pensar na vida da gente mesmo:
Foto de: Folha da Manhã Online
Flor de Cerejeira: “Como nos dias de nossa vida vai-se a flor da cerejeira -...– É um momento efêmero, maravilhoso, resplandece de brancura, no instante seguinte não existe mais. Pétala após pétala, ela morre, o vento expulsa, como nós...” – “... como a flor de cerejeira. Ela se vai... Mas sua lembrança é eterna”
Benefício do Sofrimento: “Claro, é difícil acreditar. Você vai conhecer a tristeza e, depois, um belo dia, a calma se instalará. No começo, vai perder o apetite, não vai ver nem as árvores nem as flores, até o dia em que, sem saber por que, acordará revigorado. Olhará à sua volta e perceberá que a vida continua e que, superada a prova, você está mais forte do que antes”.
“Qual é o momento em que “tu e eu” não estão mais entre duas pessoas”: “O momento do amor -...- quando duas pessoas se amam tanto que não constituem mais que um só todo”
 O livro é escrito de forma clara e nos instiga a pesquisar mais e mais sobre os assuntos tratados. O personagem Theo e sua Tia Marthe me proporcionarou além de muito conhecimento, muita reflexão.
Para finalizar o meu relato deixo as palavras do lindo personagem Theo e uma coisa que ouvi na faculdade:
“... Vejo as religiões como galhos de uma árvore. Uma só árvore grande, com raízes subterrâneas que correm sob a Terra inteira... Depois o tronco sai da Terra, bem reto, bem limpo. A árvore é um baobá da África, porque pode-se gravar em sua casca o que bem se entender. Leia você mesma: Deus existe para o bem do homem. É o que está escrito no tronco”.
"Nenhuma verdade é absoluta"



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